Perfil do país

COREIA DO NORTE

A Coreia do Norte é amplamente considerada como o lugar mais perigoso para se ser cristão, tendo alegadamente o pior recorde do mundo em relação à liberdade religiosa(1). Os cidadãos devem mostrar devoção pela família Kim no poder e pelo regime. A suspeita de deslealdade – incluindo professar o Cristianismo, que é visto como “ocidental” – é gravemente punida. Os que fugiram da Coreia do Norte descreveram a forma como, caso sejam apanhados, os Cristãos enfrentam a tortura. Muitos são enviados para os campos Kwalliso para presos políticos. Nestes campos poderão existir entre 50.000 a 70.000 Cristãos, correspondentes a cerca de metade dos detidos. Uma estimativa sugere que 75% dos Cristãos morrem devido à forma duríssima com que são tratados nos campos(2). Aí sofrem mortes extrajudiciais, trabalhos forçados, tortura, perseguição, fome, violações, aborto forçado e violência sexual(3). Os crentes foram “pendurados numa cruz sobre o fogo, esmagados sob um rolo compressor, atirados de pontes, espezinhados.”(4) Depois de Kim Jong-un ter subido ao poder como Líder Supremo, alguns cristãos foram alegadamente executados num estádio por terem consigo exemplares da Bíblia(5).

O sistema ‘Songbun’ da Coreia do Norte – que categoriza as pessoas de acordo com a sua lealdade para com o regime, e que define o acesso a necessidades básicas, como por exemplo os cuidados de saúde – classifica os Cristãos como ‘hostis’. As quatro igrejas oficiais em Pyongyang são consideradas como igrejas para benefício dos visitantes estrangeiros(6).

1. Ver 2019 Open Doors World Watch List; Religious Freedom in the World 2018 – Executive Summary, Ajuda à Igreja que Sofre, p. 13.

2. Base de dados do Center for North Korean Human Rights, cit. em Hollie McKay, “North Korea: How Christians survive in the world’s most anti-Christian nation”, Fox News, 18 de Agosto de 2017, https://www.foxnews.com/world/northkorea-how-christians-survive-in-the-worlds-most-anti-christian-nation (acedido a 22 de Julho de 2019).

3. UN Report of the commission of inquiry on human rights in the Democratic People’s Republic of Korea, 17 de Fevereiro de 2014, https://www.ohchr.org/EN/HRBodies/HRC/CoIDPRK/Pages/ReportoftheCommissionofInquiryDPRK.aspx; Forbes, 25 de Janeiro de 2017, https://www.forbes.com/sites/oliviaenos/2017/01/25/north-korea-is-the-worldsworst-persecutor-of-christians/#5edebb9b318e (acedido a 13 de Junho de 2019).

4. Christian Solidary Worldwide, Total Denial North Korea 2016 report, p.16.

5. Charles J. Lidguard, “The shockingly normal things that you”d be executed for in North Korea”, Daily Express, 18 de Março de 2016, https://www.express.co.uk/travel/articles/632732/kim-jong-un-north-korea-dictatorship-executionkilled (acedido a 5 de Julho de 2019).

6. Joey Millar, “North Korea Photos: Kim’s Fake Churches where actors pretend to pray to cover up abuse”, Daily Express, 27 de Janeiro de 2019, https://www.express.co.uk/news/world/909477/north-korea-news-latest-pictures-photoschurches-open-doors-kim-jong-un (acedido a 13 de Junho de 2019).

7. International Bar Association, Inquiry on Crimes Against Humanity in North Korean Political Prisons, 12 de Dezembro de 2017, https://rfkhumanrights.org/assets/documents/REPORT-SYNOPSIS-AND-EXECUTIVE-SUMMARY-NORTHKOREA.pdf (acedido a 13 de Junho de 2019).

8. Hyung-Jin Kim, “N. Korean Christians keep faith underground amid crackdowns”, AP, 2 de Fevereiro de 2019, https://www.apnews.com/a7079dea595349928d26c687fa42a19c (acedido a 13 de Junho de 2019).

9. Lindy Lowry, “Naked, shaved and stripped of her name — life in a North Korean Prison”, Open Doors (EUA), 7 de Fevereiro de 2019, https://www.opendoorsusa.org/christian-persecution/stories/naked-shaved-and-stripped-of-hername-life-in-a-north-korean-prison/ (acedido a 13 de Junho de 2019).

Dezembro de 2017

Um relatório do Comité de Crimes de Guerra da International Bar Association afirmou que “os Cristãos são fortemente perseguidos e recebem um tratamento especialmente duro nos campos de detenção”, notando que foram “torturados e mortos” por motivos de filiação religiosa, participação em encontros cristãos ou leitura da Bíblia e que estão “sujeitos a privações mais severas”. Os desertores da Coreia do Norte reportaram atrocidades, incluindo um recém-nascido de uma prisioneira dado como alimento aos cães de guarda, a execução de prisioneiros famintos apanhados a escavar o solo à procura de plantas comestíveis, e os abortos forçados(7).

Fevereiro de 2019

Uma desertora em Seoul falou sobre uma colega de prisão, Hyun, que falou aos guardas sobre a sua fé, insistindo em usar o seu nome de baptismo durante o interrogatório em 2004. “Ela disse [aos inquiridores]: ‘Sou uma filha de Deus e não tenho medo de morrer. Por isso, se quiserem matar-me, façam favor, matem-me.’” A desertora descreveu ter visto Hyun a regressar do interrogatório com ferimentos graves na cabeça e a sangrar do nariz. Mais tarde, os guardas levaram-na e ela nunca mais foi vista(8).

Fevereiro de 2019

O relato de uma prisioneira norte-coreana foi publicado pela Open Doors. A prisioneira 42 disse que lhe perguntavam todos os dias se era cristã. “Se eu admitisse que sim, era morta. Todos os dias me batiam… forçavam-me a sentar sobre os joelhos com os punhos fechados e nunca me deixavam abri-los.” Foi condenada a ir para um campo de reeducação. Outra crente que conheceu ali foi levada e nunca mais foi vista(9).

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