Principais conclusões

“Eles fizeram-nos coisas muito más. Bateram-nos e violaram-nos. O pior de tudo foram as violações de raparigas com nove anos de idade.”(1)

Estas são as palavras de Rita Habib, uma mulher cristã da Planície de Nínive, no Iraque.

Habib descreveu a forma como os extremistas do Daesh (ISIS) a raptaram em Qaraqosh, uma cidade maioritariamente cristã. No início, foi mantida em Mossul, antes de ser transferida para a Síria. Aí, foi repetidamente comprada e vendida no mercado de escravas sexuais do Daesh.

O seu relato de perseguição (Ver estudo de caso ‘Rita Habib – prisioneira do Daesh (ISIS) regressa a sua casa em Qaraqosh, Iraque, na p. 10) é um dos muitos recebidos pela Ajuda à Igreja que Sofre, a organização católica que apoio os Cristãos que sofrem por causa da sua fé. Enquanto organização que disponibiliza ajuda pastoral e ajuda de emergência em quase 140 países em todo o mundo, a AIS compromete-se a relatar e avaliar as violações de direitos humanos contra os Cristãos em todo o mundo actualmente. Perseguidos e Esquecidos? Relatório sobre os Cristãos oprimidos por causa da sua fé 2017-19 resume as conclusões da investigação e análise da AIS e a avaliação de padrões recentes de ódio e discriminação.

Esta edição de 2019 do relatório Perseguidos e Esquecidos? examina desenvolvimentos-chave em 12 países especialmente preocupantes no que diz respeito aos abusos de direitos humanos sofridos pelos Cristãos. Abrangendo um período de 25 meses, de Julho de 2017 a Julho de 2019 (inclusive), o relatório baseia-se em viagens de averiguação levadas a cabo por colaboradores da Ajuda à Igreja que Sofre a países relevantes pela perseguição contra os Cristãos, como por exemplo o norte da Nigéria, o Paquistão, a Síria e outras partes do mundo que não podem ser reveladas por questões de segurança. Este relatório mostra, uma e outra vez, no Egipto, no Paquistão e noutras partes do mundo, que as mulheres cristãs são as que mais sofrem, havendo relatos de raptos, conversões forçadas e ataques sexuais.

Apesar da crescente abundância de informação sobre o assunto, a dimensão da crise que enfrentam os Cristãos perseguidos por causa da sua fé continua a ser pouco conhecida ou compreendida. Embora a investigação estatística tenha dado um contributo considerável ao tema da perseguição dos Cristãos, alguns dados não resistem a uma análise mais aprofundada e com eles não se consegue demonstrar que a violência em questão tem motivações religiosas. Apesar disso, os estudos mostram consistentemente que os Cristãos sofrem níveis significativamente elevados de perseguição e intolerância. Em Junho de 2018, o Pew Research Center afirmou que, ao longo de 2016, os Cristãos foram alvo de assédio em 144 países. Segundo estes dados, os Cristãos emergem como o grupo de fé “mais amplamente atingido” no mundo, ligeiramente à frente do Islão. Em Janeiro de 2019, a Open Doors estimou na sua World Watch List de 2018 que 73 países com 245 milhões de Cristãos “apresentaram níveis extremos, muito elevados ou elevados de perseguição”. Isto representou uma subida em relação aos 58 países com 215 milhões de Cristãos em 2017. O mesmo estudo mostrou que todos os dias, em média, 11 cristãos são mortos por causa da sua fé nos 50 países mais infractores.

Esta avaliação não pretende ser exaustiva. A avaliação essencialmente qualitativa da AIS não permite que se disponibilizem estatísticas para tornar possível uma análise comparativa completa. Além disso, a opressão estatal é por natureza totalmente diferente dos actos esporádicos de violência e as condições de perseguição não são uniformes em nenhum país específico.

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To find out more about Christians oppressed for their Faith in the world please download the PDF Report

Case Study

Country Profiles

NIGÉRIA

“Há um objectivo claro: islamizar todas as áreas que

IRAQUE

Os Cristãos regressaram lentamente às suas cidades e aldeias

ÍNDIA

Durante o período em análise, houve relatos de ataques

EGIPTO

O número de grandes ataques à bomba a igrejas

CHINA

As dificuldades sentidas pelos crentes aumentaram, pois o novo

PAQUISTÃO

Os Cristãos estão sujeitos a perseguições violentas e discriminação,

SUDÃO

Em Maio de 2019, o Conselho Militar de Transição